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Guias 5 min de leitura · 6 Mai 2026

Investir em crédito P2P: 9 anos de experiência e retrospetiva da carteira 2026

Retrospetiva honesta de 9 anos a investir em P2P: números reais, as crises de 2020 e 2022, lições aprendidas e uma carteira atual com 10,8% de rentabilidade.

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Redação TopLending
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TopLending Editorial · Reviewed by independent analysts
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Este artigo é diferente: não é uma visão teórica, mas uma retrospetiva honesta de 9 anos a investir em crédito P2P — com números reais, erros, momentos de crise e o que faria hoje de forma diferente.

1. Como comecei a investir em crédito P2P em 2016

Em 2016 procurava uma alternativa aos depósitos à ordem. A taxa diretora estava a zero, a minha caderneta de poupança rendia 0,01%. Encontrei um artigo sobre a Mintos e fiquei imediatamente curioso: 12% de rentabilidade? Parecia bom demais para ser verdade.

Comecei com cautela: 500€ na Mintos. Configurei o auto-invest, defini a garantia de recompra como critério obrigatório e esperei. Ao fim de 30 dias: 4,80€ de juros. Anualizado: 11,5% a.a. Estava a funcionar.

Hoje, 9 anos depois, já investi em 5 plataformas, sobrevivi a duas crises (a crise da covid em 2020 e os incumprimentos russos em 2022) e aprendi mais do que em qualquer livro sobre investimento em P2P.

2. A cronologia: altos e baixos entre 2016 e 2025

2016

O arranque. 500€ na Mintos. Rentabilidade: 11,5%. Tudo corre sem problemas. Aumento para 2.000€.

2017

Diversificação. A Bondora entra na carteira. Rentabilidade em ambas as plataformas: 10–12%. Estou entusiasmado e continuo a reforçar o investimento.

2018

Lançamento do Bondora Go & Grow. O novo produto a 6,75% com liquidez diária — perfeito como almofada de liquidez. Coloco lá 1.500€.

2019

O melhor ano. Rentabilidade na Mintos: 12,9%. Rentabilidade total da carteira: cerca de 11%. Acrescento a PeerBerry.

2020

Choque da pandemia. A Mintos congela pagamentos de vários originadores de crédito. A Bondora limita os levantamentos a 400€/mês. Vários originadores de crédito entram em insolvência. O valor da carteira cai. Rentabilidade: -1,3% na Mintos. A minha principal lição: não pôr todos os ovos no mesmo cesto.

2021

Recuperação. A Mintos inicia a limpeza da carteira. A rentabilidade sobe lentamente para 6,8%. Reduzo a exposição a originadores de risco.

2022

Guerra na Ucrânia & incumprimentos russos. Originadores com ligações à Rússia entram em incumprimento. Perco cerca de 180€ em três posições na Mintos. Rentabilidade: 8,7%. Lição: a geopolítica é um risco real.

2023

Estabilização. Carteira limpa. Mintos regulada na UE, novos produtos (obrigações, ETF). Rentabilidade: 10,5%. Acrescento a Estateguru para diversificação imobiliária.

2024

Ano forte. Rentabilidade total da carteira: 11,2%. Todas as plataformas entregam de forma estável. A Trade Republic baixa os juros para 3% — a atratividade do P2P aumenta.

2025

2025 até agora. A Bondora reduz a rentabilidade para 6%. A Mintos introduz comissões nos Custom Loans. A carteira mantém-se estável em 10–11%. O setor está mais maduro do que nunca.

3. A minha carteira atual em 2025

Eis como está a minha carteira de P2P hoje — depois de 9 anos de experiência e duas crises:

PlataformaPesoRentabilidadeObservação
Mintos Core Loans35%9,1%Desde 2016
Bondora Go & Grow20%6,0%Almofada de liquidez
PeerBerry25%11,0%Desde 2019
Estateguru20%10,5%Crédito imobiliário

Rentabilidade total em 2024: 10,8% a.a. · Peso no património total: cerca de 8% · Tempo dedicado: cerca de 30 minutos por mês

4. As 7 lições mais importantes de 9 anos em P2P

01 A diversificação salva carteiras

Quem em 2020 tinha tudo na Mintos sofreu. Quem estava diversificado por 3 ou mais plataformas dormia melhor. Nunca mais do que 30–40% numa única plataforma.

02 As garantias de recompra são boas, mas não são à prova de bala

Uma garantia só é tão forte quanto quem a presta. Em 2020 muitos aprenderam: quando o originador de crédito entra em insolvência, a garantia desaparece com ele.

03 Verificação regular é obrigatória

O P2P não é “investir e esquecer” — pelo menos não no caso dos Custom Loans. Verificar o dashboard uma vez por mês evita más surpresas.

04 Investir apenas dinheiro de que não se precisa

Em 2020 precisei de liquidez no curto prazo. A Bondora limitou os levantamentos. Desde então: 3 meses de salário sempre numa conta à ordem.

05 A regulação é decisiva

As plataformas com licença europeia comportaram-se claramente melhor em 2020 e 2022 do que as não reguladas. Hoje só invisto em plataformas reguladas pela EFSA/BaFin.

06 Pensar nos impostos desde o primeiro dia

No primeiro ano esqueci-me dos impostos. A regularização foi desagradável. Hoje reservo mentalmente 25% de cada juro recebido.

07 A paciência é recompensada

Quem vendeu em pânico em 2020 cristalizou perdas. Quem aguentou viu a recuperação. O P2P recompensa a paciência — castiga o pensamento de curto prazo.

5. Os meus maiores erros

Erro 1: concentração excessiva na Mintos em 2019

No pico, tinha 70% do meu capital P2P na Mintos. Quando chegaram os incumprimentos em 2020 foi um verdadeiro choque. Hoje: no máximo 35% numa única plataforma.

Erro 2: não excluir originadores russos a tempo

Em 2022 custou-me 180€. Tinha subestimado os riscos geopolíticos. Hoje, nos Custom Loans, filtro ativamente por país do originador e excluo regiões de risco elevado.

Erro 3: não descarregar os relatórios anuais a tempo

Algumas plataformas eliminam relatórios antigos passado algum tempo. Tive de exportar manualmente os dados de transações com muito esforço. Hoje: descarga automática no dia 1 de janeiro de cada ano.

6. O que faria hoje de forma diferente

  • Diversificar mais cedo por mais plataformas — em vez de me focar 3 anos só na Mintos
  • Usar o Bondora Go & Grow desde o início como almofada de liquidez — não colocar todo o capital P2P em produtos sem liquidez
  • Monitorização fiscal desde o dia 1 — uma simples folha de Excel é suficiente
  • Não cair em promessas de rentabilidade acima de 14% — em 2025, essas plataformas já quase não existem
  • Misturar crédito imobiliário mais cedo — a Estateguru é mais colateralizada e estável do que o crédito ao consumo

Aviso de risco: esta experiência é pessoal e não garante resultados semelhantes. Os créditos P2P são arriscados — as rentabilidades passadas não são indicador de resultados futuros.

FAQ

Há quanto tempo investes em crédito P2P?

Desde 2016 — ou seja, há 9 anos. Vivi duas grandes crises (2020 e 2022) e mantive-me investido. A rentabilidade total ao longo destes anos é, em média, de 9,4% a.a. após incumprimentos.

Perdeste dinheiro na crise da covid?

No papel sim — o valor da carteira caiu em 2020 devido aos créditos congelados. Na prática, perdi cerca de 220€ com originadores em incumprimento na Mintos. Isto corresponde a cerca de 2,8% do meu capital P2P de então — doloroso, mas suportável graças à diversificação.

Voltarias a começar hoje no P2P?

Sim — mas com mais experiência. Distribuiria desde logo por 3 plataformas (Bondora para liquidez, Mintos para rentabilidade, Estateguru para segurança), nunca investiria mais de 8% do património total e teria, desde o início, um controlo fiscal rigoroso.

Aviso de risco: este é um testemunho pessoal. As rentabilidades passadas não garantem resultados futuros. Os créditos P2P podem dar origem à perda total do capital. Não constitui aconselhamento financeiro. Atualizado em abril de 2025.


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